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Prazo · 30 de setembro

A reta final de setembro decide quanto você vai pagar em outubro

Quatro mudanças entram em vigor entre 30 de setembro e 15 de outubro. A primeira delas tem prazo de sete dias e pode significar uma diferença de ¥190 mil para quem pede residência permanente.

Brasileiro no Japão diante de placas sobre imigração, trabalho e moradia, com o Monte Fuji ao fundo
Pedidos de visto recebidos até 30 de setembro pagam as taxas antigas. O critério é a data de recebimento do protocolo, não a data da autorização.

As quatro datas

30/9
Prazo migratório

Último dia para protocolar pedidos de visto com as taxas atuais.

1/10
Salário mínimo

Aichi ¥1.195 · Gifu ¥1.121 · Mie ¥1.143 por hora.

5/10
Registro de imóveis

Nacionalidade passa a ser exigida de todo novo proprietário.

15/10
Shizuoka

Novo salário mínimo de ¥1.154 por hora.

30 de setembro · prazoAs taxas de visto sobem — e quem protocolar antes paga o valor antigo

É a mudança mais pesada do pacote e a única com contagem regressiva. A partir de 1º de outubro, as taxas cobradas pelo Departamento de Imigração deixam de ser um valor único e passam a variar conforme o período de permanência concedido.

Hoje, a mudança de status de residência e a renovação do período de permanência custam ¥6.000, independentemente do caso. A partir de outubro, a cobrança passa a ser escalonada em sete faixas, com o teto em ¥75.000 — um aumento que vai de 1,6 a 12,5 vezes o valor atual. A permissão de residência permanente sobe de ¥10.000 para ¥200.000, o maior salto do conjunto.

ProcedimentoAté 30/9A partir de 1/10
Renovação ou mudança — até 3 meses¥6.000¥10.000
Renovação ou mudança — 1 ano¥6.000¥33.000
Renovação ou mudança — 3 a menos de 5 anos¥6.000¥64.000
Renovação ou mudança — 5 anos ou mais¥6.000¥75.000
Residência permanente¥10.000¥200.000

Valores para pedido protocolado no balcão. A tabela completa tem sete faixas; acima estão as de maior incidência na comunidade brasileira.

O que decide o valor

O critério é a data de recebimento do pedido, não a data da autorização. Pedidos protocolados até 30 de setembro pagam a taxa antiga, mesmo que a decisão saia em novembro ou dezembro. No caso da residência permanente, a diferença é de ¥190.000.

Quanto isso pesa numa família

O impacto se multiplica pelo número de pessoas na casa. Uma família de cinco integrantes com visto de um ano gasta hoje ¥30.000 por ano em renovações. A partir de outubro, a mesma operação passa a custar ¥165.000 no cálculo de balcão.

Há uma lógica embutida na nova tabela: quanto maior o período concedido, menor o custo por ano de permanência. Quem consegue cinco anos paga ¥75.000 uma vez; quem renova de ano em ano paga ¥33.000 cinco vezes. Isso torna a qualidade da documentação apresentada — comprovação de renda estável, recolhimento em dia de imposto e seguro social, histórico sem irregularidades — financeiramente relevante, e não apenas burocraticamente.

Detalhes operacionais que mudam junto

  • Desconto para pedido on-line. Foi mantido nas renovações e mudanças de status, variando de ¥3.000 a ¥10.000 conforme a faixa. O maior desconto é o da faixa de cinco anos ou mais.
  • Duas exceções ao desconto. A faixa de até três meses e a residência permanente ficam de fora.
  • Fim do selo fiscal no on-line. O pedido pela internet deixa de aceitar . O pagamento passa a ser feito em loja de conveniência ou por banco, com taxa de processamento cobrada à parte.
Quem não é afetado

Quem já tem residência permanente não faz renovação de período de permanência e, portanto, não é atingido pelo reajuste. A renovação do cartão de residência é procedimento separado, com regra própria.

1º de outubroNovos salários mínimos entram em vigor no Tokai

No mesmo dia em que as taxas sobem, entra em vigor o reajuste anual do salário mínimo regional. No Tokai, os novos valores por hora são de ¥1.195 em Aichi, ¥1.143 em Mie e ¥1.121 em Gifu. A média nacional ponderada ficou em ¥1.177.

Aichi decidiu acima da diretriz do conselho nacional, aprovando ¥1 a mais que o valor indicado — situação que não ocorria havia mais de uma década, descontado o ano atípico de 2020.

Como conferir se o seu salário está correto

O piso vale para mensalistas, não apenas para horistas. Para converter, divide-se o salário-base somado aos adicionais fixos pelas horas mensais previstas em contrato. Ficam de fora do cálculo o vale-transporte, o auxílio-família, as horas extras e o adicional noturno. Se o resultado ficar abaixo do piso da província, a empresa precisa corrigir.

Por que o líquido de outubro pode vir menor mesmo assim

Este é o ponto que gera confusão todos os anos. O seguro social não é recalculado mês a mês: uma vez por ano, a empresa apura a média do que foi pago entre abril e junho e, desse cálculo — o —, sai a faixa de contribuição que valerá pelos doze meses seguintes.

A nova faixa passa a valer a partir da contribuição referente a setembro. Como o desconto costuma ser feito com um mês de defasagem, quem subiu de faixa vê o valor líquido diminuir já no pagamento de outubro.

Na prática: quem fez muitas horas extras na primavera está pagando a conta agora, inclusive nos meses em que a produção caiu. A contribuição maior não é dinheiro perdido — ela alimenta a aposentadoria futura e a base de cálculo do auxílio-doença e do auxílio-maternidade —, mas não ajuda o orçamento deste mês.

5 de outubroRegistro de imóveis passa a exigir nacionalidade de todo comprador

A partir de 5 de outubro, toda pessoa física que se torne titular registral da propriedade de um imóvel no Japão deverá informar sua nacionalidade no momento do registro. A regra vale para compra, herança, doação e demais formas de aquisição.

A mudança decorre da alteração do regulamento de registro de imóveis, publicada em 31 de março de 2026, cuja parte relativa à nacionalidade entra em vigor nesta data.

Correção importante

A exigência não é dirigida apenas a estrangeiros. Cidadãos japoneses também precisam declarar a nacionalidade. A informação é prestada como dado de busca administrativa, no mesmo conjunto que já permite ao cartório atualizar nome e endereço automaticamente.

A informação não vai para a matrícula

Este é o ponto que mais gera receio, e a resposta é tranquilizadora: a nacionalidade não é inscrita na matrícula do imóvel. Ela fica registrada apenas para uso interno da administração. A justificativa oficial é de proteção à privacidade — a matrícula pode ser consultada por terceiros mediante pedido no cartório, e a nacionalidade não estará lá.

O objetivo declarado da medida é permitir que o governo dimensione a propriedade imobiliária por nacionalidade, num contexto de discussão sobre aquisição de terras próximas a instalações estratégicas. A Agência Digital prepara, para o ano fiscal de 2027, uma base de dados que permitirá o compartilhamento dessa informação entre órgãos do governo.

O que isso muda na prática para quem vai comprar

Em 4 de setembro, uma circular da Diretoria Civil do Ministério da Justiça, acompanhada de um conjunto de perguntas e respostas, fechou os pontos operacionais: quais documentos são aceitos para comprovar a nacionalidade, como o cartório procede quando a declaração falta — caso em que o pedido entra em exigência para correção — e como tratar situações de dupla nacionalidade ou naturalização.

Para o comprador brasileiro, o efeito prático é um documento a mais na pasta. Passaporte e atestado de residência () com a nacionalidade indicada são os comprovantes de uso mais comum. Quem já reúne documentação para financiamento normalmente tem esses itens em mãos.

A recomendação é simples: quem tem escritura marcada para outubro deve confirmar com o escrivão () responsável, ainda esta semana, se a documentação prevista já contempla a nova exigência. Falta de documento no dia da escritura atrasa o registro, e atraso em registro de imóvel costuma custar caro em reagendamento.

15 de outubroShizuoka reajusta o piso para ¥1.154

Shizuoka tem data própria. O novo salário mínimo estadual passa a ¥1.154 por hora a partir de 15 de outubro, com alta de ¥57 sobre os ¥1.097 atuais — reajuste de 5,20%, o segundo maior da série recente do estado e ¥1 acima da diretriz nacional para a faixa correspondente.

Atenção para quem trabalha em fábrica em Shizuoka

Existem pisos setoriais específicos no estado — ¥1.117 para siderurgia e metais não ferrosos e ¥1.133 para fabricação de máquinas e equipamentos de transporte. Como ambos ficam abaixo do novo piso estadual, a partir de 15 de outubro passa a ser obrigatório o pagamento de no mínimo ¥1.154 por hora também a esses trabalhadores, até que os pisos setoriais sejam revistos. Isso alcança boa parte das autopeças da região.

O pano de fundo: crédito mais caro e outubro de reajustes

Duas outras decisões recentes ajudam a explicar o momento.

Em 18 de setembro, o Banco do Japão elevou a taxa básica de juros de 1,0% para 1,25%, o maior patamar em cerca de 31 anos, na segunda alta em três meses. Para quem tem financiamento imobiliário com juros variáveis, o repasse é lento e escalonado: a alta de junho chega às prestações a partir de janeiro de 2027, e a de setembro só deve alcançá-las em julho de 2027. Onde vale a regra dos cinco anos, a prestação mensal não muda de imediato — o que se altera é a proporção entre juros e amortização dentro da mesma parcela.

Para quem está comprando agora, porém, o efeito é imediato: juro maior reduz o valor financiável para a mesma renda. É assunto a tratar com o banco antes da análise definitiva, não depois.

Some-se a isso o fato de outubro ser, ao lado de abril, o mês em que mais se concentram reajustes de preços no Japão, com forte incidência sobre alimentos.

A compensação vem em dezembro

A reforma do imposto de renda que entra em vigor em 1º de dezembro elevou a faixa de isenção para ¥1,78 milhão e ampliou o limite de renda para declarar dependentes, que passa a ¥1,36 milhão de renda bruta. Todo o ajuste é acertado de uma vez no de dezembro. Em resumo: outubro e novembro vão parecer piores do que o ano de fato está sendo.

O que fazer nesta semana

  • Se o pedido de residência permanente está pronto, protocolar até 30 de setembro. A diferença é de ¥190.000.
  • Se a renovação de visto vence nos próximos meses e o período de pedido já está aberto, avaliar a antecipação do protocolo.
  • Conferir, no holerite de outubro, se o salário-hora está igual ou acima do piso da sua província.
  • Pedir ao RH o aviso de e verificar a faixa de contribuição definida para o ano.
  • Com escritura marcada para outubro, confirmar com o escrivão a documentação de nacionalidade.
  • Levantar a renda anual de 2026 do cônjuge e dos filhos, para o acerto de dezembro.

O recado geral da reta final deste mês é que boa parte do que vai pesar em outubro ainda pode ser antecipada ou conferida em setembro. Depois do dia 30, as regras são outras.

Fontes
  • — revisão das taxas de permanência, vigência em 1º de outubro de 2026
  • — (Portaria nº 23, de 31 de março de 2026) e circular da Diretoria Civil de 4 de setembro de 2026
  • — revisão dos salários mínimos regionais, exercício de 2026
  • · · ·
  • — decisão de política monetária de 18 de setembro de 2026
  • — alterações do imposto de renda com vigência em 1º de dezembro de 2026

Consulta às fontes oficiais realizada em 23 de setembro de 2026, às 10h (horário do Japão). Este material tem caráter informativo e não substitui orientação de profissional habilitado. Valores e prazos devem ser confirmados no órgão competente antes de qualquer providência.